

DO BAHIA TODO DIA | 07/09/2012
BAHIA TODO DIA- Por que o senhor quer ser prefeito de Camaçari?
ADEMAR DELGADO – Ser prefeito de Camaçari é uma coisa que me honra e me orgulha muito. Tenho mais de 42 anos de gestão pública, sou administrador pela Universidade Federal da Bahia e dediquei maior parte da minha vida a Camaçari. A cidade me acolheu. Eu moro em Arembepe desde 1986. Aprendi muito em Camaçari e fui convidado a ser o próximo prefeito. O objetivo central é melhorar cada vez mais a vida do povo de Camaçari dando continuidade a esse processo de mudança iniciado por Caetano e por uma equipe da qual fiz parte e tenho orgulho de ter participado. Nós temos uma série de projetos importantes como o Rio Camaçari, esgotamento sanitário, Escola Técnica Universitária, implantação do Campus da Ufba. Esses projetos, dentre outros, precisam de alguém que tenha identidade com a política do nosso presidente Lula, Dilma, Wagner e Caetano para que Camaçari não perca essa oportunidade extraordinária de mudança que nós estamos fazendo.
Projetos
Por outro lado, nós já temos projetos que estamos discutindo hoje. Falando apenas do plano que depende dessa articulação política, nós estamos discutindo o Anel Rodoviário dentro do PAC 3, que é uma ligação que sai da BA -93 passando pela Gleba E, Parque Verde, povoado de Parafuso, a Via Parafuso, a estrada da Cascalheira - que será a Avenida da Integração, que é um projeto nosso e o governador Wagner já nos assegurou - saindo na BA - 512. A requalificação do centro comercial de Camaçari. Nosso projeto é mergulhar a fiação da cidade integrando com o programa de revitalização o Rio Camaçari. Camaçari vai deixar muita cidade desse Brasil com água na boca porque vai ficar cada vez mais linda de se ver e se viver.
BTD – O senhor citou alguns projetos grandiosos. No primeiro mandato de Caetano (2005-2004) ele prometeu tirar a linha férrea do centro da cidade, mas isso até agora não aconteceu. Por quê? E que o senhor pretende fazer em relação a isso?
AD – Um projeto ou proposta que se discute democraticamente tem opiniões favoráveis e contra. Você vai pela maioria e o que é decidido é o que será. Eu, por exemplo, concordo plenamente com o que está sendo feito e o que será feito, que é a retirada do trem de carga. Então, a variante saindo do pólo para o Porto de Aratu já está em curso. Houve problema lá no Denitt, a obra parou, mas isso vai ser destravado. Nós vamos retirar a carga através dessa variante. Com relação a linha de trem, o que eu gostaria muito era se nós pudéssemos mergulhá-la, deixá-la subterrânea. Nós tínhamos discutido já com alguns engenheiros. É uma obra muito cara porque o lençol freático é muito superficial. Nós precisamos do transporte de massa na região metropolitana. Camaçari tem um número grande de veículos. Esse crescimento aconteceu a partir do crescimento da economia, da política de inclusão social e distribuição de renda iniciada pelo nosso grande líder Lula. Todo mundo hoje tem um carro. Então, as cidades estão engarrafadas. Eu entendo que Camaçari tem que estar inserida no contexto metropolitano e vou lutar para que a cidade lidere esse processo. Precisamos de transporte de massa para facilitar essa mobilidade urbana. Por isso eu defendo o transporte de massa e o trem de passageiro de qualidade, saindo de Salvador indo até Alagoinhas, porque, aí, resolveremos o problema de transporte inclusive de Salvador, porque o povo precisa de um transporte de qualidade de baixo custo, um transporte saudável ambientalmente falando. Essa é a minha proposta e vou lutar por isso, para termos transporte de massa de qualidade incluindo o ferroviário.
BTD – Vou insistir nessa questão. O senhor falou que já está sendo feita a linha do trem de carga, mas a proposta inicial de Caetano era retirar a linha férrea do centro da cidade e não aconteceu. Era uma promessa de candidato?
AD – Esse era o sentimento da época, mas também nós não prometemos fazer a Cidade do Saber e fizemos. Quando você faz um programa de governo, você faz pautado numa realidade. Todos os programas você planeja, mas pode e deve fazer os ajustes de acordo com as circunstancias do momento. Depois que viu-se o crescimento do número de veículos, sobretudo na Região Metropolitana – nós já temos o problema de engarrafamento – dai nós estamos fazendo esse projeto do rio Camaçari, fazaendo pontes, pontilhões, viadutos para facilitar o transito, por isso que eu insisto no transporte de massa e o trema é um transporte de massa que eu espero que volte.
BTD – Em relação à saúde, havia a pretensão de construir o hospital na orla nessa gestão e não foi construído.
AD – Isso não foi anunciado na campanha. Há uma demanda da orla.
BTD - Qual a população da orla?
AD – Entre 30 e 40% da população fixa, mas quando chega final de semana e feriado cresce exponencialmente porque todo mundo quer curtir os 42 quilômetros do litoral. Ai ultrapassa ate a população da sede. O governo só se realiza para as pessoas realizando nas suas comunidades. Então todo mundo quer que dê a resolução dos seus problemas na sua localidade. A questão é que a orla tem 42 km de extensão. Se você fizer em qualquer canto vai haver queixa da população dos outros povoados. O que temos de saída de imediato é a maternidade junto ao Hospital Geral, cujo projeto já está em processo de licitação.
Saúde
Já estamos discutindo com o governador Jaques Wagner e secretário de Saúde, Jorge Solla, a criação do centro de cardiologia e de pediatria para que o Hospital Geral de Camaçari passe a ser um hospital que cuide da média e alta complexidade. Daí que nós investimos na atenção básica através do PSF e das UPAs. Para se ter uma idéia, o Ministério da Saúde preconiza que para uma população de 100 mil habitantes, tem que ter uma UPA. Camaçari tem 250 mil habitantes e nós deveríamos ter três UPAs com folga. Hoje nós já temos seis, sendo que uma está sendo inaugurada a qualquer hora, que é a da Gleba A. Então, nós estamos na frente, pensando na Camaçari grande, que cresce de forma espetacular. Para você ter uma idéia, nós recebemos por ano mais de 10 mil pessoas. Eu lhe pergunto: você vai para um município que não lhe oferece as condições de vida? Você não vai. Você vai procurar a melhoria. Camaçari é isso hoje a partir da mudança que implantamos em 2005 com Caetano. Fizemos um perfil diagnóstico em Camaçari em 2005. De acordo com o IBGE, havia naquela época 21% da população abaixo da linha da extrema pobreza. Hoje isso caiu para 11%
Bolsa-família
Nós não ficaremos felizes enquanto tiver uma pessoa em extrema pobreza. A nossa presidente Dilma lançou o projeto de erradicação da extrema pobreza no Brasil. Em Camaçari nós estamos identificando essas pessoas para que a gente tire dessa condição por meio do bolsa-família. Tem gente que diz que a bolsa-família é esmola, mas foi uma benção. O bolsa-famila tem que ser vista de forma integrada. (...) os filhos de que tem o benefício tem acompanhamento da medicina preventiva, tem que estar na escola. Agora, com esse programa da erradicação da extrema miséria, vem o programa Pronatec. São três mil filhos oriundos de pais que tem o bolsa-família tendo curso de qualificação de 400horas. (...) Nós temos orgulho de participar desse nosso projeto de governo que foi iniciado por Lula; em Camaçari por Caetano, depois com o governo do Estado, que é o projeto de fazer mais para que mais precisa.
BTD – Eu estava pesquisando e vi que o senhor foi secretário na primeira gestão de Luiz Caetano em 1986. Durante a pré-campanha surgiu comentário de que Caetano continuaria mandando, caso o senhor fosse eleito. Caetano tem esse poder sobre o senhor ou o senhor vai fazer uma administração independente?
AD – Tenho afirmado perante a Caetano e a população de Camaçari que eu sou Ademar Delgado. Não vou mudar de nome. Eu serei o prefeito de Camaçari com a vontade do povo e com a força de Deus. Eu não tenho dúvida de que eu serei o prefeito porque eu estou vendo o carinho com que as pessoas estão nos recebendo. Quem será o prefeito é Ademar, que vai liderar uma equipe, vai ouvir os partidos, as lideranças, vai ouvir Caetano para pode formar o governo. Agora, quem vai comandar o nosso governo chama-se Ademar Delgado. Esse não muda de nome. Caetano será uma peça importante no nosso governo. Qual papel? Nós vamos discutir depois que eu for eleito, porque agora ao estou com cabeça trabalhando para ganhar as eleições. Não estou discutindo isso, mas já que você está me provocando eu vou logo sinalizar qual o papel que eu quero que Caetano faça, que é o de continuar nos ajudando, fazendo a ligação política entre Camaçari, o nosso governador Wagner e a nossa presidenta Lula (sic). Será nosso embaixador, nosso porta-voz para levar nossa proposta no sentido de levar de me ajudar nisso.
BTD – Só para corrigir seu ato falho, candidato, é presidenta Dilma e não Lula.
AD – Ô, rapaz, é porque fui ver o presidente Lula no dia 15. Lula é uma figura diferente. Depois que ele adoeceu eu tinha visto Lula. Primeiro aconteceu algo extraordinário, quando disse que Ademar ia ver Lula parecia que toda Camaçari virou 13, ficou toda contagiada. Cheguei lá (em São Paulo) e fiz duas perguntas básicas: ‘ presidente, como ganhar as eleições e como governar para o povo de Camaçari como o senhor governou para o povo do Brasil? Aí ele disse: companheiro, primeiro você vai abraçar e conversar com o povo.’ Quando saímos de São Paulo nós já criamos o dia do abraço. Camaçari toda se abarcou e abraçou com o 13. Foi uma coisa espetacular.Para governar, Lula disse ‘você tem que governar mais para quem mais precisa. Quando você tiver dificuldade, Ademar, você vá conversar com o povo, que é o povo que sabe para onde devemos destinar seus recursos. É o povo que tem as suas necessidades’.
Obras
Sigo os conselhos de Lula assim como os do governador Jaques Wagner, que teve domingo em Camaçari e ficou encantado com o domingo do 13. Bom, eu vinha cobrando para ele três reivindicações básicas - a transferência do campus da Uneb para a cidade tecnuniversitária (nós já temos o terreno da prefeitura para doar); a duplicação da Cetrel; e a duplicação da Cascalheira, transformando na Avenida da Integração. Aí Wagner, em praça pública, para em torno de 50 mil pessoas, disse: ‘Ademar, você fez um discurso de prefeito, olhando para frente e eu quero assumir aqui para o povo de Camaçari que nós vamos fazer Avenida da Integração, duplicar iluminação, com pista para ciclista (...)’. Wagner ajudou muito na captação de recursos, quer seja privado como a vinda da JAC Motors, a duplicação da Ford, o pólo acrílico, e nos ajudou na captação de recursos junto ao governo federal. O canal da Gleba A, Itacimirim...São 417 municípios, em quem Wagner vai votar? Em Ademar Delgado, porque ele vota em Arembepe. É Chique, menina.
BTD – O senhor está muito empolgado.
AD – Claro! É a empolgação que o povo de Camaçari passa pra gente.
BTD – Apesar de sua empolgação, em uma pesquisa feita recentemente, o senhor aparece em segundo lugar, logo após Maurício de Tude (PTN). Bom, surgiu uma polêmica levantada pelo PTN que acusa o PT de manipular uma pesquisa do Vox Populi, que não foi divulgada, mas que o senhor estaria dez pontos à frente. Essa pesquisa vai ser divulgada? Quando? O que tem de verdade nas acusações do PTN?
AD – A pesquisa que eles divulgaram foi de 24 a 26 de julho (P&A). Meu caso é semelhante a Dilma. Dilma política, mas muito dentro da gestão. Ademar político e dentro da gestão. O que existe na gestão de Caetano, você pode me perguntar sei de detalhes participei de tudo. Quando sou escolhido para participar como candidato, eu saio da gestão e vou para as ruas. Dilma começou com 3% , Serra com 48%. (...)Essa questão de pesquisa é interessante. Eles fizeram a pesquisa deles divulgaram, é um direto deles. Agora, tem uma entidade que contratou a Vox Populi que ainda nem fez o (levantamento) e eles (adversários) já estão divulgando o resultado. Nos parece que eles têm uma pesquisa deles que eu estou 10% na frente. (...) O que é que eu sei é que eu espero é que quando fechar a pesquisa eu esteja com 15%, 20% porque eu estou vendo como o povo está nos recebendo. Esse negocio de fraudar pesquisa...você lembra de Brizola? Quem foi que fraudar a pesquisa contra Brizola? Esse time daí. Quem divulgou as pesquisa contra Wagner? Wagner ia ganhar a eleição pelas pesquisas? Não. Eu acredito em pesquisa, mas eu fico mais empolgado é com a pesquisa que eu faço, que é o carinho , o amor com que o povo de Camaçari está nos recebendo , por isso essa empolgação (...) Tenho mais de 42 anos no serviço público, já participei de uma série de obras do estado, já fui diretor do Hospital Roberto Santos, coordenador de programação e orçamento da Prefeitura de Salvador. Sou auditor fiscal aposentado de Salvador, fui do Derba. Em Camaçari, fui secretário de administração do primeiro governo de Caetano, fui coordenador de programação e orçamento , fui diretor da Limpec, secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, secretário de Administração, fiz Plano de Cargos e Salários para servidores, professores, fiz concurso público, organizamos a máquina. Não tínhamos sequer computador. (...) Carregaram o computador, as memórias e as pessoas, porque todo mundo era cargo comissionado, aí estruturamos o estado dentro de Camaçari , temos um quadro de servidor concurso e efetivo. Tem o instituto de seguridade municipal do servidor que tinha em caixa R$ 9 milhões que era para garantir a aposentadoria. Sabe quanto tem hoje? Mais de R$ 110 milhões . entre 1996 e 2004, so tiveram dois reajustes. Uma perda extraordinária (...)
BTD – Voltando ao Vox Populi. O senhor nega a existência da pesquisa?
AD – Se eu nego? Eu vi nos sites que tem duas pesquisas registradas que estão para ser divulgadas a partir do dia 1º. Uma é da P&A. E uma da Vox Populi. Em Camaçari, se você chega em um bar, tem uma pesquisa. Não tenho conhecimento, mas a oposição já está antevendo, já está divulgando o resultado e com certeza estão divulgando por baixo. (...) eu espero que a pesquisa do Vox Populi dê muito mais porque eu estou sentindo. Eu não vi o período em que a Vox vai pesquisar. (...) O que me interessa é que no dia 7 de outubro o povo de Camaçari vai querer que a mudança que nós começamos em 2005, continue. Nós nunca mais vamos ter praças que quando a gente sentava era barata, formiga e rato (subindo pelas pernas). Hoje tem praças bonitas. Vou fazer praças em todas as localidades, em bairros populares que é para poder fazer a integração da família ...
BTD – O senhor é amigo de Caetano há mais de 30 anos. Quais são as pretensões dele após deixar a prefeitura? Ele vai tentar emplacar o nome para disputar o governo do Estado? Quais são os planos?
AD – Eu posso lhe afirmar com convicção que Caetano é um elemento eminentemente político. Respira, fala política, tudo que ele faz tem política pelo meio. Então, Caetano naturalmente está apostando, acreditando e trabalhando para que eu seja prefeito. Claro que um prefeito que elege um sucessor da cidade da importância que tem Camaçari, está pensando em vôo mais alto. Caetano vai trabalhar politicamente e sei que ele vai me ajudar, sobretudo na esfera federal. É presidente da UPB (União dos Municípios da Bahia), fez uma revolução, uma série de seminários importantes, viajou a Bahia. Caetano terá outras funções a partir de janeiro de 2013.
BTD – Nessas viagens ele vem tentando apoio de vários prefeitos, muitos dos quais estão tentando a reeleição, para tentar fortalecer o nome dele para 2014.
AD – Em 2014, Caetano está na mesa da sucessão e estará participando do processo. Eu não tenho a menor dúvida disso que ele. Qual o cargo que o povo da Bahia vai escolher para ele, qual o cargo que o PT e partidos das bases vão designar, não sei, mas sei que Caetano será uma figura importante em 2014. Quem tiver dúvida de que Caetano vai estar no centro da política em 2014, não conhece de política.
BTD – Qual o recado que o senhor deixa para os eleitores.
AD – Eu espero ter o reconhecimento pelo trabalho de mudanças que nós iniciamos. Eu tenho uma vida dedicada a Camaçari, a minha vida é transparente. As pessoas me conhecem, sabem o meu compromisso com Camaçari, com a gestão pública. Sempre fui visto como homem de gestão. O recado que eu deixo para o povo de Camaçari é que eu preciso do voto de cada cidadão e cidadã para que no dia 7 de outubro eu me eleja prefeito da minha querida Camaçari para que eu possa dar seguimento a esse trabalho e fazer muito mais por Camaçari.
Esta é uma entrevista para deixar bem nutrido de saberes qualquer cidadão, principalmente o soteropolitano. Numa abordagem corajosa, sem medos de possíveis "conflitos" com setores organizados da sociedade, aliás, como deve ser da natureza de todo intelectual, o professor de Geografia da UFBA, Clímaco Dias, trata de maneira saborosa, pois é saber e sabor andam juntos, temas pertinentes à condição humana na cidade do Salvador, além de falar de política, feminismo, luta negra, Carnaval e outras características da nossa querida metrópole e de sua gente. Tudo isso, com pitadas de muito bom humor, o que, talvez, seja a principal característica desse sergipano, de há muito já considerado baiano, ou uma espécie de isca para que os vários conhecimentos que detém, e que sabe expressar com maestria, nos envolva não só pela cabeça, como também pelo gastro. Leitura imperdível. Boa leitura. Por Edson Miranda
O bancário e militante comunista Geraldo Galindo visitou recentemente a Palestina. Conta neste artigo o que viu na "terra santa", lugar onde a mistura de religião e política inspira preconceito, racismo, dominação política e genocídio. Um relato de quem esteve lá, agora, e não somente ouviu falar.
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